A Horta

Da varanda, no jardim de casa, eu consigo ver uma horta. E não é uma horta qualquer. É a horta da vovó e do vovô. Uma horta que fica na minha casa, mas são eles que cuidam. É a horta que, para mim, representa a família, o legado que eles deixam todos os dias. E, assim como a vida, nunca é do jeitinho que deveria ser, nunca está às mil maravilhas quanto aparenta, mas, para mim, assim como a vida, é uma horta perfeita e que fica ainda mais linda a cada gota d’água ali regada, a cada nova orquídea que brota, a cada plantio e cantinho por arrumar.

É a horta que representa a vida, com suas belezas, mazelas, seus recomeços e novos tropeços. É a horta que enfrenta as tempestades, as pragas, os fins de ciclo e até as boladas quando jogamos futebol na grama — meu filho e eu. Mas também é a horta que, de tão verdadeira, de tão natural, mantém meus pais vivos, em movimento, dedicados. Porque, assim como a vida, todo dia ela precisa ser regada, ajeitada, cuidada; é um espaço que exige deles algum esforço diário ou, caso contrário, ainda que aos poucos, murcharia ao ser abandonada, deixaria de florescer, perderia a cor. Como aconteceria se abandonássemos a própria vida.

Alface, cebolinha, couve; orquídeas, rosas e tantas outras flores: na hortinha da vovó e do vovô, é possível encontrá-los todos vivos, ambos respirando, aguardando as próximas colheitas e, então, novas sementes. Ali, na horta mais linda do mundo, por mais que não pareça, a vida acontece como ela é: cheia de memórias que nunca se apagam, que ficam para sempre em nossos corações.

Viva!

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