Empreendedores Verdes Fritos

microempreendedor


Adoro a nova Lei do Microempreendedor. Num ambiente de negócios como o brasileiro, tal opção se mostra absolutamente eficaz na luta contra os sonegadores. Pensando bem, eficaz contra os sonegadores, mas não contra a necessidade (a necessidade!) de empreender e de realmente transformar empreendedores em buscadores de oportunidades.

Baseados na consecução dos benefícios oferecidos pelo Governo, quase 11 mil microempreendedores já se formalizaram em todo o Brasil. Desde 24 de julho — dia em que a lei passou a vigorar no estado — somente em São Paulo foram aproximadamente 3,2 mil indivíduos que optaram por deixar a informalidade de lado para prestar contas e trabalhar formalmente. Os benefícios incluem salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria por idade, por invalidez, auxílio-reclusão ou, em caso de morte, pensão.

É realmente interessante saber que, com toda essa adesão, os níveis de informalidade no Brasil diminuíram? Sim, é uma pergunta. Digo porque, com as contas feitas, o módico valor mensal a ser pago pelos microempreendedores (cerca de $60) retrai a informalidade, mas também estimula a criação de novos negócios por necessidade (ao invés de baseados em oportunidades).

Longe de considerar tal lei inoportuna, gosto muito da iniciativa. Preocupa-me, porém, o fato de que, para competir com força, alguns elementos básicos da administração são necessários e assolam até os que se julgam mais preparados. No caso, o problema evidente é que, em virtude dos benefícios, o microempreendedor se vê num ambiente menos hostil, mais (literalmente) legal e se inscreve sem ao menos formular a identidade ou identificar uma oportunidade de negócio. Enxerga, o microempreendedor, a possibilidade de sair da pindaíba com a inscrição e ainda poder vislumbrar sua aposentaria. Interessante, não é? A atitude, porém, apesar de louvável, é tenuemente perigosa.

Perigo #1: os benefícios

Exceto pelos assessores do SEBRAE e pela ausência de taxas, as vantagens de se inscrever apresentadas aqui são puramente condicionais. Em suma, o microempreendedor recebe o benefício somente se houver alguma ocorrência (em caso de acidentes, doenças, aposentadoria, …) ou quando sua situação for bastante restritiva (obrigatoriedade de ter somente um empregado). Reparem que os benefícios, no caso, muito embora sejam bastante atraentes para os que realmente precisam, têm o papel de isca ao invés de servir como mola propulsora para o alcance do sucesso nos negócios; afinal, dão o peixe e não ensinam a pescar.

Além do mais, menos burocracia, assessoria e taxas menores são algumas vantagens apresentadas pela lei. Oram, vejam só! Isso tudo é vantagem ou deveria ser pré-requisito, status quo? Passa, repassa ou paga?

Perigo #2: a necessidade

Não é sequer contemporânea a polêmica sobre as divergências entre o empreendedorismo por necessidade e por oportunidade. No Brasil, apesar dos jovens serem mais atrelados à segunda categoria, temos a predominância da primeira. Assim, com a grande maioria precisando empreender, quase 90% dos novos negócios fecham suas portinholas antes mesmo do quinto ano de atividade. E fecham porque, independente da oferta de benefícios, os indivíduos simplesmente não estão e não são preparados para empreender à medida que começam a competir.

Perigo #3: a falta de informação

Impressiona-me o fato de que as inscrições sejam feitas somente pela internet; acho bom, mas nem todos devem pensar como eu. O açougueiro muitas vezes tem um computadorzinho conectado à internet na beira do balcão, perto do corte de filet, mas e o encanador, o barraqueiro e o vendedor ambulante de sorvetes? Será que todos têm acesso à internet e, mais, sabem da existência da lei? Para responder, não se esqueça da pesquisa de abril deste ano realizada pelo CEPAL: 1,7% dos lares brasileiros classificados como pobres são conectados à rede mundial de computadores (isso significa que a cada 100 pobres, 2 têm computadores capazes de acessar este blogue).

O perigo citado aqui, entretanto, não está relacionado somente às informações disponíveis na internet sobre a lei, mas ao fato de que, para empreender, o indivíduo precisa de assessoria (principalmente quando seu nível de escolaridade é baixo).

Perigo #4: a dependência

Dentre os benefícios apresentados pela lei, o único que se relaciona à formação do microempreendedor refere-se à assessoria prestada pelo SEBRAE no início das atividades, o que eleva a importância da entidade em todo o processo.

Para quem não conhece, o SEBRAE abre suas portas todo o santo dia para aqueles que se interessam por seus serviços. Há cursos, consultoria gratuita e, para os verdadeiramente dedicados, também o Empretec. O perigo, nesse caso, é que a dependência do SEBRAE obriga, para a obtenção das informações necessárias, o microempreendedor a ir até um escritório regional sem quaisquer orientações. Muitas vezes (que tristeza!), o indivíduo nem sabe o que é o SEBRAE, (…) mas quer os benditos benefícios.

Por tudo, gosto da metodologia SEBRAE até certo ponto. Ao invés de reativos, de tão importantes eu preferiria que fossem mais ativos.

(…)

Para empreender, atitude, precaução e educação.

Educação Empreendedora é o que há! =)

OmniFocus Experience

OmniFocus!



Há algumas semanas prometi que escreveria sobre a experiência com o meu primeiro productivity software: o Omnifocus. Desenvolvido para a plataforma Mac pela OmniGroup, o programinha é muito bom e já me fez repensar sobre a organização do trabalho, o stress e o perfeccionismo. A ideia central — baseada na metodologia GTD de David Allen — leva em conta que, para não se atribular demais, o ser humano produtivo  precisa liberar o próprio cache, ou seja, deixar a mente livre para executar tarefas (e não somente acumular informações!).

É importante salientar que os softwares precisam ser bastante acessíveis para que o processo realmente aconteça. Pensando nisso, a OmniGroup lançou a versão desktop, mas não só. Por 20 dólares (e vale aproveitar o câmbio a 1,83!), a versão do iPhone sincroniza com a versão desktop via MobileMe e ainda avisa sobre as próximas tarefas a serem realizadas. Não há desculpas.

A adaptação que fiz à minha rotina funciona assim: (1) numa espécie de caixa de entrada, despejo absolutamente tudo que preciso fazer durante o período escolhido (a preferência é que essa fase seja feita semanalmente), (2) depois, com a caixa de entrada cheia, contextualizo as tarefas, linkando cada uma a um ambiente específico (por exemplo, @escritório ou @homecomputer) e (3), por fim, com as tarefas organizadas e contextualizadas, começo a executá-las, ticando uma a uma. Para melhor entender como tudo funciona, esse texto da Bia Kunze é bastante indicado.

No início, como acontece comumente nos processos de adaptação, minha experiência com o software não esteve entre as melhores. Isso porque, com uma frequência incrível, as tarefas deixavam o bloco “Due Soon” e saltavam para o “Overdue” sem ao menos serem acessadas. E isso, óbvio, me deixava p*** da vida! Aos poucos percebi que o fato de perder prazos estava ligado justamente à necessidade de se organizar; afinal de contas, o programa estava lá pra isso! Então, à medida que agilizei a execução, as tarefas foram se acalmando.

Ainda não estou plenamente adaptado, mas já aprendi algumas interessantes lições com a utilização do OmniFocus. Uma das lições diz respeito à ociosidade (pois realizar várias tarefas num mesmo dia é bem possível quando há mais organização e menos MSN) e outra, ainda mais importante, refere-se à besteira do perfeccionismo (pois o bom é o inimigo mais odiado que o perfeito tem).

Robert Kaplan

Fico realmente feliz quando vejo Robert Kaplan, na ManagemenTV, falando sobre suas ferramentas de gestão, dentre elas o Balanced Scorecard. O mais interessante, porém, não são as ferramentas. Interessante, sim, é que centenas de empresas usam tais ferramentas porque num belo dia Mr. Robert Kaplan resolveu escrever sobre indicadores determinantes da estratégia e publicou um artigo científico. Pois bem, bastou para que conquistasse clientes.

Teoria versus prática: impressão sua.

Vá para a Argentina que o pariu, Sarney!

casarosada

A Argentina, quando comparada ao Brasil, é um país no qual as pessoas são imensamente mais patriotas. Em minha primeira visita aos porteños, em 2006, fiquei impressionado com a reação que tiveram logo após a notícia de que uma senhora havia sido maltratada num hospital. Costumo contar a história em salas de aula.

Os funcionários do aeroporto de Ezeiza não são tão receptivos e o povo argentino, em suma, é do tipo rude. No Señor Tango (e eu ainda prefiro o Café Tortoni) pedi para que o garçom trocasse meu prato e, além de não trocar, ele ficou tão bravo que quase me enfiou a comida goela abaixo. O Puerto Madero é lindo, mas não espere que as pessoas sejam tão “lindas” quanto. São, porém, do tipo fraternas entre si. Los hermanos mesmo.

No hotel, enquanto assistia a um noticiário local, surpreendi-me com o choro de uma senhora que, em entrevista à maior rede de TV argentina, reivindicava seus direitos após ter sofrido maus tratos num hospital. Até aí, não há nada mais comum no Brasil. O incomum, entretanto, foi a reação do povo argentino no dia seguinte.

La Plaza de Mayo, onde fica a Casa Rosada (foto), é a principal praça do centro da cidade de Buenos Aires. Lá, presidentes, jogadores, torcidas de futebol, Eva Perón, democratas e muitos outros se reuniram e ainda se reúnem para celebrar seus triunfos. Lá, um dia após a notícia dos maus tratos, o povo também se reuniu. Aliás, bastou somente a notícia ser veiculada para que se reunisse com panelas e matracas nas mãos e, enquanto Nestor Kirchner (até então presidente) não aparecia, a barulheira era geral. Por fim, ele apareceu pedindo desculpas e prometendo ao povo que tal fato não mais aconteceria.

Que tal uma pitadinha de Argentina para tirarmos, de uma vez por todas, esse Coronel do Senado brasileiro? Veja no link a seguir o que esse bon vivant e sua netinha, Maria Meretriz, aprontaram dessa vez: Gravações [O Estado de S. Paulo]. Bandalheira!

Minas Gerais

Estive em Minas Gerais no final de semana. Temos uma chácara pequena, rústica, mas aconchegante. Minhas sobrinhas estão lindas… e com elas a viagem sempre vale pena!

Nas fotos, meus pais e um pouco da beleza de lá. As fotos foram tiradas hoje, pouco antes da viagem de volta. Meus pais, óbvio, ficaram.

Família. Nada é mais importante.